E de repente acontece (parte 14)
Juliane com os olhos cheios de lágrimas mãos trêmulas, ali vendo sua mãe chorar desesperadamente pela descoberta que ela tanto temia.
-- Por que? Fala!!! _ disse sua mãe aos gritos.
-- Mãe olha eu posso explicar..... isso só pode ser um mal entendido.
-- Então você vai querer me convencer de que Bruna e sua mãe, são mentirosas?!
-- Mãe olha não sei o que elas te falaram... mas.... mãe acredita em mim.
-- Elas nem tiveram a intenção de me falar, para dizer a verdade, elas falaram com naturalidade porque achavam que eu sabia. Quando na verdade eu nem imaginava o que eu tinha dentro de casa....... uma dissimulada por quem eu batalhei e me sacrifico, para em trocar receber isso ..... UMA FILHA LÉSBICA! _ disse chorando incessantemente.
-- Mãe......
-- Cala sua boca e vá para o seu quarto, não quero mais ouvir sua voz, principalmente me chamando de mãe. Não tenho filha...... assim desse jeito.....
O olhar de desprezo e decepção de sua mãe lhe cortara a alma, ela saiu em direção ao quarto onde se trancou e chorou se culpando por tamanha dor causada em sua mãe. Horas depois ela ouviu a campanhia tocar, era seu pai, que em segundos ja batia a porta.
-- Juli?
-- Entre.
-- Oi, filha! Sua mãe me pediu para que eu viesse porque você tinha algo a me falar..... então posso me sentar?
-- Sim.
-- Juli minha princesa o que está acontecendo? Minha filha sou seu pai, e por mais que eu tenha errado muito com você e sua mãe, eu estarei aqui sempre a partir de agora.
-- Pai, não sei o que levou minha mãe a chama-lo até aqui, porém quero que saiba que não pedi por sua presença. Não me sinto à vontade em partilhar o problema que estou enfrentando com o senhor entende?
-- Sim filha, entendo, mas o que acha de sairmos daqui para ficarmos mais livres e desenibidos?
-- Não estou bem para sair, me desculpe.
-- Ok, filha isso que está acontecendo é tão poderoso ao ponto de você querer afastar quem te ama? Será que eu nunca te dei prova do meu amor? Não sou suficiente para ajudá-la?
-- Não é isso, pai eu te amo e sei que o senhor também me ama, mas é que.... não tenho coragem de falar.
-- Então aceite meu convite, tem uma pracinha á algumas quadras daqui, é bem arejada e com um magnífico jardim. Creio que lá você terá coragem, anda Juli vamos?
-- Tudo bem. _ disse ela se animando.
Eles foram caminhando e Juliane foi medindo palavras para tentar explicar o que se passava, ao chegar na pracinha, se sentaram à uma mesa, onde seu pai já percebendo todo o rodeio dela para falar, foi logo resumindo;
-- E então você se apaixonou por ela? _ perguntou ele terminando a frase que ela jamais teria coragem de acabar.
-- É .... bem..... acho que sim. _ disse quase que sussurrando.
-- Ei, levante essa cabeça menina, isso não é vergonha, pelo contrário, o amor é uma das coisas mais bonitas desse mundo.
-- Mas eu estou apaixonada por uma menina. _ disse ela quase sem acreditar na reação de seu pai.
-- E o que tem? Filha ouça bem, amor para mim é uma palavra sem gênero.
-- Hã?!
-- Sim, e vou te dizer o por quê. Dizem que a palavra amor é um substantivo de gênero masculino certo?! Mas repare bem eu vou dizer duas frases e me diga o que acha.
-- Pai o que é isso agora, não estou entendendo mais nada.
-- Só ouça; Olá meu amor!
Agora; Olá minha amor!
Não soa como algo errado, é natural dito das duas formas, concorda?
Juliane respondeu contendo o riso, mas foi inútil, ao olhar a cara de seu pai querendo bancar um gênio que acabara de fazer uma grande descoberta, ela se pôs a gargalhar e ele a acompanhou.
-- Tá, filha brincadeiras à parte, quero que saiba que te apoiarei no que for melhor para você, e o que é melhor só você pode escolher. Sua mãe está sem saber o que fazer, ela não me disse nada, mas pelo tom da voz dela ao telefone e pelos anos que convivi com ela, posso te garantir que ela está apavorada com tudo isso, tenha paciência e dê um tempo para ela digerir tudo isso, tá bem?
-- Ahhh papai, o senhor é o melhor que eu poderia ter agora, eu te amo demais sabia?!
-- Sim eu sabia, desde a primeira vez que eu te vi eu sabia minha princesa, agora vamos parar de chororô e me conta como ela é com você, se já se beijaram, e até mesmo se já fizeram o que "não deviam".
-- Conto sim, mas se você me pagar churros. _ disse ela sorrindo.
Após contar tudo para seu pai, eles voltaram para casa, onde Juliane não disfarçou a tristeza de ter que encarar sua mãe novamente.
-- Filha vamos coragem, sua mãe com o tempo vai entender, o que você não pode é fugir por toda vida.
-- Eu sei... mas é que ela foi tão dura comigo, chegou a dizer que eu não era filha dela.
-- Não foi por mau, aposto que foi da boca para fora, isso é bem a cara da sua mãe.
-- Chegamos....
-- Sim chegamos.
Ao ouvir barulho na porta, Vera vinha no corredor para averiguar, e se deparou com pai e filha sorrindo felizes e estampou em sua face o descontentamento por isso.
-- Boa noite de novo.
-- Boa noite? Olha aqui, eu não sei o que essa garota te disse, mas aposto que o assunto da conversa de vocês não pode ter sido o mesmo que eu tive com ela hoje a tarde.
-- Se foi sobre nossa filha gostar de uma menina..... acho que deve ter sido. _ disse sendo sarcástico.
-- E você fala com toda essa naturalidade?
-- Sim, falo, porque de fato nada me espanta nisso.
-- Verdade.... como eu fui idiota em achar que uma pessoa como você seria capaz de resolver algo desse tipo, você nunca se importou com ela mesmo.... é fácil chegar agora e bancar o bom pai, fazendo ela acreditar que é bonitinho duas mulheres juntas.
-- Não é se não existir amor, aliás se não houver amor não é bonitinho ninguém ficar junto, e você sabe bem que eu penso assim.
-- Ahhhh agora vai aproveitar para insinuar que eu fui a causadora da nossa separação?
-- Vera não quero briga tá bom, só quero te pedir que não seja intolerante com nossa filha, não há nada de mau em se apaixonar, seja por quem for. Não faça dela uma pessoa infeliz, por questões que são de sua concepção, não generalize as coisas para dificultar a cabecinha dela.
-- Roberto você não muda e suas atitudes me deixam cada vez mais enojada de você.
-- Chega! _ gritou Juliane.
-- Viu o que fez Vera, olha o estado da menina.
-- Mãe e Pai, por favor parem, não precisa brigar. _ disse chorando e foi para o quarto.
-- Vera vou embora, mas quero que reflita sobre a felicidade da Juli, não faça dela uma pessoa como você. Tchau.
Vera ficou parada perplexa por ver que Roberto estava apoiando as loucura de Juliane, e pensou o que faria dali por diante com tal situação.
No dia seguinte quando Juliane acordou foi a cozinha e viu um bilhete na geladeira que dizia;
"Juliane fui a casa de Dinorá, não sei à que horas volto, não quero que saia de casa, você está de castigo por tempo indeterminado, não quero que me dirija a palavra até que tenha tirado da cabeça essa idéia maluca de paixão por mulheres.... e ahhh faça você seu almoço, a partir de hoje as coisas serão assim, para que você aprenda a ser adulta e que toda escolha tem uma consequência".
Juliane acabou de ler e as lágrimas corriam pelo seu rosto, ela não sabia mais o que iria fazer, em pensar de não ver mais Carol seu peito doía, como se facas o estivessem perfurando. Em seu pensamento as palavras de sua mãe repetiam como um eco, e ela se sentia totalmente impotente quanto a tudo que estava acontecendo.
Ela voltou para seu quarto decidida a não mais sair de lá, e o telefone dela tocou, era Carol, ela correu para atender.
-- Alô Juli?
-- Sim.
-- Que tal irmos na Lagoa hoje a tarde para andar de pedalinho, depois poderíamos ir ao cyber, topa?
-- Não vai dar Carol....
-- Por que? Você parece estar me evitando Juli, o que está havendo?
-- Minha mãe descobriu.
-- Sobre a gente?
-- Não sobre você, mas sobre eu ser lésbica.
-- E agora?
-- Não sei .... acho que não poderemos mas nos ver. _ respondeu chorando.
-- Ohhh meu amor não fique assim, essa situação tem que ter um jeito.
-- Acho que não, minha mãe me proibiu de sair e não sei do que mais ela será capaz para me impedir.
-- Minha Juli estou arrasada por não poder estar ao seu lado em um momento como esse. Mas oh você terá que ir a escola, poderemos nos ver lá e se voltar ao curso teremos mais um tempinho juntas o que acha?
-- Não sei... mas prometo pensar, só posso te responder quando eu realmente souber o que minha mãe pretende.
-- Ok.... minha Juli eu te amo saiba disso, te esperarei o tempo que for preciso, você é tudo para mim.
-- Eu também te amo Carol, mas estou tão confusa e perdida. Vou ligar para o meu pai e ver se ele pode vir aqui.
-- Juli você não acha que isso seria má ideia?
-- Não, meu pai sabe de nós, sabe do dia da sorveteria e também sabe do dia da festa da Bruna.
-- E o que ele disse? _ perguntou espantada.
-- Que quer minha felicidade e que fará de tudo para me ajudar.
-- Nossa que lindo, não imaginava isso dele, mas fico feliz pelo menos aumenta nossa chance né?!
-- É sim, agora vou desligar, minha mãe pode chegar e me ouvir falando ao telefone. Beijo te amo!
-- Eu também, beijo.
Juliane ligou para seu pai e disse tudo o que estava acontecendo e ele achou um absurdo, admitiu não poder fazer muita coisa pois a tutela era de sua mãe. Ela se sentiu só e triste, voltou para quarto e só saiu quando ouviu sua mãe chamando por ela na sala, horas mais tarde.
-- Oi mãe.
-- Eu fui até a casa de Dinorá para pedir ajuda, ela se recusou, então fui sozinha descobrir quem era a tal, por quem você diz estar apaixonada. E descobri, é a Caroline, você me fez abrir as portas para uma pessoa que fez sua cabeça e agora você está maluca.
-- Não!
-- Sim, pois sondei e descobri que ela é assumidamente lésbica, e você provalmente sabia de tudo isso e não me contou. Não quero ver essa garota nem na frente do prédio, ouviu bem?
-- Mãe por que fez isso? _ disse chorando desesperadamente.
-- Porque sei que isso foi coisa que essa desencaminhada colocou na sua cabeça, se eu conseguir te manter longe dela você voltará ao normal.
-- Não estou doente!!!! Estou cansada, sempre fui boa em tudo para te agradar, para fazer você sentir orgulho de mim, para que você se sentisse bem e plena por criar uma filha sozinha. Eu tentei ser alegria em meio as suas frustrações........ mas na verdade você nunca pensou em mim, no que era relevante para que eu fosse feliz, você me queria como um troféu, que usaria para esfregar na cara de todos que você não era uma derrotada por ter se separado.
Cansei de acatar tudo o que você diz para te priorizar, chegou a hora de eu pensar em mim, quero que fique longe da Carol, faça o que quiser comigo mas deixe-a em paz.
-- Além de estar sob influência da SAPATÃO, também está indo pelo caminho do seu pai, sim claro, só pode, para estar se dirigindo a mim por "você", me enfrentando, fazendo exigências e usando apelido para se referir as pessoas, é óbvio que não pode ser atitudes suas. Olha saiba que todo o trabalho que fez para me orgulhar até hoje, foi todo para o lixo, pois você é a minha maior decepção e arrependimento. _ disse saindo.
Juliane ficou ali inerte sem crer o que sua mãe tinha feito e dito, como ela poderia ser fria a tal ponto?
Passaram- se duas semanas e Juliane vivendo como uma prisioneira dentro de sua própria casa, saira com seu pai algumas vezes para ir até a casa de sua vó, mas tudo com hora marcada por sua mãe, fora isso só ia á escola e nada mais.
Sua mãe chegou do trabalho e foi até seu quarto.
-- Ei ligue para o seu pai e peça para ele me ligar urgente. _ disse e saiu.
Juliane pensou, o que sua mãe poderia estar tramando desta vez? então ligou para seu pai e pediu para que assim que acabasse de falar com sua mãe, lhe enviasse uma mensagem dizendo o que tinha acontecido. Não demorou uma hora e a campanhia tocou, era seu pai com uma mochila nas costas e ela foi ver do que se tratava.
-- Pai o senhor vai viajar?
-- Eu não, quem vai é sua mãe, parece que vai à trabalho. Ai ela me pediu para que eu ficasse com você enquanto ela ia, mas exigiu que eu viesse para cá, porque aqui o porteiro está com ordens de detalhar tudo o que acontecer para ela.
-- Não acredito....
-- Mas pode acreditar seu pai vai ficar aqui até que eu volte, isso vai levar dois dias apenas. _ disse Vera cortando a conversa deles.
-- Pai o senhor pode dormir comigo.
-- Sim filha posso.
-- Roberto vou logo avisando, nada de saidinhas, dormir tarde, barulho tarde da noite e nada fast food todo dia, entendido?
-- Sim coronel Vera! _ disse fazendo gesto de sentido.
-- Tudo para você é brincadeira isso que me irrita profundamente.
-- Não sou eu que brinco muito é você que não vê alegria em nada.... sempre foi assim.
-- Tá agora vai ver o que comer, para não irem dormir tarde.
Continua.....
Essa é uma obra de ficção qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

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