E de repente acontece (parte12)

Após alguns segundos de silêncio, Pedro;
-- Tá.... mas o que pretende fazer?
-- Não sei, isso que é o pior.
-- Porque, não sei se isso te ajuda, mas sua mãe vai surtar.
-- Nossa ajuda muito... - disse ela revirando os olhos.
-- Assim, sério Juliane, tem certeza que é isso que quer para sua vida?
-- Olha para início de conversa, não se trata de escolha, ou você acha que eu queria estar nessa situação?!
-- Cara ainda bem que eu fui morar longe. - disse ele com ar de alívio.
-- O que isso tem a ver agora?
-- Porque eu fui seu último relacionamento, então se você revela-se lésbica, logo iriam pensar que eu sou um desastre como homem.
-- Nossa, que comentário machista!
Olha aqui eu não vou me revelar nada tá bom, e outra você tem uma festa para ir comigo e lá teremos que fingir sermos namorados.
-- Hã!
-- Isso mesmo vou te enviar a data e o horário e você vai passar na minha casa e me buscar.
-- Mas... Juliane talvez a sua questão não tenha me deixado contar que agora eu estou meio que " namorando" uma menina lá do meu prédio. Então sua proposta não vai rolar.
-- Não foi uma proposta, foi uma intimação!
-- Você ouviu o que eu acabei de dizer? Não vai rolar, não posso pôr em risco uma situação certa por uma duvidosa.
-- Ahhhh Pedro para com essa palhaçada, é pelos velhos tempos que te peço esse favor.
-- Tá tá, mas oh vou logo avisando que terei que contar a verdade para minha namorada.
-- Sem problemas. - ela disse gesticulando com as mãos.

Ele pagou a conta, e os dois saíram. Já na calçada ela se despediu agradecendo- o por a ter escutado e também pelo favor que seria prestado a ela, e cada um seguiu seu caminho.
Ao chegar em casa Juliane vendo sua mãe na cozinha foi até lá para ver de perto o que ela fazia.

-- O que faz ai?
-- Um jantar especial.
-- Alguma data importante?
-- Não, só estou feliz por você estar um pouco mais animada.
-- Ah tá.
-- Onde você foi?
-- Fui até o Cyber, com Pedro.
-- Ahhh o Pedro, que legal, sobre o que falaram? Por que ele não te pede em namoro logo hein?
-- Falamos sobre muitas coisas, e não ele não quer me namorar, ele já tem uma namorada.
-- Poxa que pena, também né filha você enrolou o rapaz, as vezes até parece que você foge dos meninos. Mas eu sei que logo estará namorando um belo rapaz, pois sua beleza está no sangue e nós da família Montini, temos a fama de arrasar corações. - disse Vera com ar de orgulho.
-- Mãe vamos para com esse assunto, isso não me deixa à vontade.
-- Tá né.
-- Então, a Bruna me convidou para seu aniversário de 18, a senhora lembra dela?
-- Sim lembro, menina encantadora deve ser motivo de muito orgulho para os pais. Bom ela ter te convidado, faço gosto de você estar socializando com gente assim.
-- É nunca fui muito próxima dela, mas ela fez tanta questão de me convidar que achei que seria deselegante não aceitar o convite.
-- Fez bem, e você não se misturava com ela porque não queria, porque sempre fiz de tudo para que você se chegasse, tinha esperança que você fosse como as outras meninas.
-- O que disse?! Como as outras meninas, como assim?
-- Ahhh filha, eu digo vaidosa, delicada, com aquele certo requinte que as outras meninas vão aprendendo a ter desde a adolescência. Só isso!

Naquele momento, Juliane percebera que ela sempre foi mesmo a "esquisitona" que todo mundo falava, e até sua mãe sabia disso. Em um devaneio ela relembrou de toda a sua infância e pré - adolescência, o que a intrigava era que ela se lembrava de tudo menos de já ter gostado ou se atraído por outra menina.
Seus pensamentos foram cortados por sua mãe que já a tinha chamado pelo nome e por falta de resposta, lhe sacudiu segurando pelos braços.

-- Eiii menina, onde está com a cabeça?
-- Em nada, só estava pensando em que vou vestir na festa.
-- Então enquanto pensa, vá lavar as mãos para comer.

Juliane jantou com sua mãe e em seguida foi para o quarto onde pensou até pegar no sono. No dia seguinte durante a aula, o telefone dela alertou o lembrete do aniversário de Carol, ela silenciou o celular e continuou a assistir a aula, na volta para casa encontrou no ônibus Wendel, que falou sobre a falta que sentia dela nas aulas e que também sentia a falta de Carol, longe da sala de aula ele sentiu mais liberdade em tocar no assunto.

-- O que houve na verdade entre você e Carol?
-- Nada demais, amizade que não foi para frente...
-- Amizade? Tem certeza?
-- Sim, por que diz assim?
-- Por nada só pensei, que houvesse algo a mais entre as duas. - disse ele querendo aparentar convicção sobre o que dizia.
-- Mesmo que fosse, acabou.
-- Sua boca diz o que o os seus olhos não confirmam e posso dizer que o coração menos ainda.
 Ela ficou olhando para Wendel, pensando que no fundo ele tinha razão. E ele continuou:

-- Ela foi seu primeiro lance?
-- Não ... na verdade nunca me envolvi com uma garota.
-- Entendo o que está passando, comigo também aconteceu, sei que deve ter inúmeras dúvidas e saiba que a primeira coisa a se pensar é; se você sente, se você deseja é porque, é de verdade, não perca tempo com besteiras, duas pessoas lutando por uma mesma causa é melhor do que uma. - disse com uma piscada de olho no final.

Chegou seu ponto e Juliane desceu, caminhou pensativa até em casa.
As semana subsequentes foram da mesma forma, ela pensando e cada vez tendo mais certeza de que se não fosse Carol, acabaria sendo outra, pois ela era de fato lésbica e Carol foi apenas a luz que clareou seus olhos, para que ela enxergasse sua real condição.
A semana da festa foi corrida, Juliane foi comprar um vestido, marcar horário com manicure e cabeleleiro, sua mãe pegando no pé para que ela estivesse maravilhosa para festa, até que chegou o dia. Juliane ligou cedo para Pedro, avisou sobre o traje da festa e confirmou o horário que ele passaria lá para buscá-la .
Após horas de arrumação sua mãe disse; está pronta! Ela se olhou no espelho maquiada, e estava realmente magnífica como nunca esteve antes.

-- Não entendo porque a louca da Bruna, pediu traje de gala para uma festa de 18, não estou muito confortável só espero não cair de cima desse salto.
-- Filha você está linda, e o salto é falta de costume, daqui a pouco estará andando tão bem como se estivesse descalça.

A campanhia toca, e era Pedro, que quando viu Juliane ficou surpreso não só pelo realce que a maquiagem deu a beleza dela, mas por nunca antes ter visto Juliane tão bem arrumada. A mãe dela os advertiu de milhares de coisas, e eles saíram para frente do prédio onde o pai dele aguardava no carro para levá-los.
Ao chegar na festa, surpresa, a festa estava ornamentada como um baile de debutantes, só que para um menina de 18. Eles entraram foram recebidos por Bruna que agia com naturalidade ao fato um tanto esquisito se tratando da festa, sentaram-se à uma mesa localizada ao lado de um "palco" e foram convidados pela mãe de Bruna para que fossem até o barman e pedissem o drink que quisessem, Pedro foi e pegou drinks para os dois.

-- Enquanto aguardava nosso drink ficar pronto, descobri porque a festa está nessa contradição temática. Parece que a empresa do pai de Bruna, enfrentou uma crise braba de quase falência no ano em que ela faria 15 anos.
-- O que tem?
-- Ela não teve baile de debutante.
-- Isso era para ser o fim da história não?!
-- Pois é, mas parece que a mãe dela não quis deixá-la com esse trauma, então tá ai, o baile da debutante de 18.
Os dois riram, beberam mais, foi chegando mais gente, muitas pessoas que Juliane conhecia mas não tinha muita intimidade. Após toda uma cerimônia de praxe de um baile de debutante normal, a qual todos assistiram sem enteder nada, Bruna veio até mesa de Juliane.

-- Juliane a pista de dança foi liberada ela é aqui no segundo andar, se quiser pode ir lá, meus amigos do curso trouxeram a galera deles estão todos lá.
-- Legal, nós  vamos.
-- Vamos? - disse Pedro intrigado.
-- Vamos! - disse ela puxando ele pelo braço.

No segundo andar, uma enorme pista de dança,tudo escuro a pouca claridade que tinha era efeito de luzes neon que piscavam para todos os lados, alguns sofás pelos cantos, o dj em uma cabine acima da pista, e muita gente dançando.

-- Juliane, posso saber porque veio a uma pista de dança, se bem me lembro.... Você não sabe dançar! - disse gritando, por causa do som alto.
-- Eu não sei, mas você sabe então eu posso te imitar.
Eles riram, e foi feito como ela sugeriu, lá pelas 2h, Bruna chamou Juliane com Pedro para apresentar-lhes à alguns amigos.

-- Vamos, vocês vão adorar minha galera, tem gente lá que nem conheço mas, se estão com eles devem ser gente boa também.

Eles foram á um dos sofás encostados na parede e Bruna foi os apresentando a um por um, eles foram apertando as mãos e sorrindo. Depois de terem apertado mais de dez mãos ele ficaram ali, até que Bruna disse;

-- Juliane lembra da Vanessa?
-- Sim.
-- Então ela está aqui, vou procurar ela e trazer para que te veja, ela vai ficar surpresa. - disse e saiu.

Juliane e Pedro pediram licença e voltaram a sentar em um sofá do outro lado da pista. Eles beberam mais, Juliane mais desinibida levantou e começou a dançar descontrolada ao som de uma música eletrônica, Pedro já estava exausto e ela euforica quando Bruna apareceu em sua frente.

-- Até que enfim te encontrarei! Veja Vanessa, a Juliane.
-- Meu Deus você está linda, não que antes não fosse, mas é que parece mais mulher agora.
-- Obrigada, é um prazer reve-lá.
-- Que cabeça de vento a minha, essa é a prima de Vanessa, Caroline.

Quando Juliane se vira era ela, Carol, as duas não souberam disfarçar o espanto.


Continua.....

Está é uma obra de ficção qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.


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