E de repente acontece (parte13)

Naquele clima estranho, uma olhando para outra, apertaram as mãos, e Pedro percebeu que havia algo de errado, mas ficou quieto para comentar com Juliane depois. Bruna na euforia da festa, não deu a devida atenção ao que ali se passava, Vanessa tão pouco, então Juliane saiu, alegando não estar se sentindo bem pela quantidade de drinks que bebeu, se sentou no sofá ao lado de Pedro que sorria tentando dissimular sua curiosidade.

-- O que foi que ouve ali?
-- Nada, só que a Bruna é uma menina fútil e eu quis sair antes que ela viesse com assunto de quando ainda éramos criança, ali bem na frente da..... menina que..... mal conheço.
-- Juliane me desculpa, mas não foi o que pareceu, a cara que você fez para aquela menina foi de verdadeiro espanto, parecia mais que ela era a malvada que roubava seu lanche no primário. - disse e riu.
-- Tá pense o que quiser contando que me leve embora.
-- Ué, mas cadê a pessoa que disse há uns 15 minutos atrás que poderia dançar até clarear?
-- Essa pessoa não quer mais dançar e quer ir embora, e você pode respeitar isso ou terei que ir sozinha?
-- Tá, só aguarda aqui, pois vou precisar procurar um lugar longe desse som, para falar ao telefone.

Pedro saiu e Juliane ficou ali imersa à seus pensamentos e lembranças, quando deu por si, Carol estava sentando-se ao seu lado.

-- Podemos conversar?
-- Acho que não temos mais o que falar.
-- Juli você não percebe o mal que está fazendo para você, fugindo do que é inevitável?
-- Você fala por mim, como se soubesse o que se passa dentro da minha mente e do meu coração. - disse em tom de sarcasmo.
-- É.... verdade eu não sei, mas eu sei que é algo forte e grande.
-- Por que diz isso?
-- Porque está transbordando de sua mente e coração, fazendo vazar pelos olhos.
Juliane ficou em silêncio lembrando das palavras de Wendel, e disse:

-- Olha você foi tudo o que sempre quis em toda minha vida, amiga, parceira e companheira. Mas agora olho para você e......
-- Esquece o passado, eu já me desculpei Juli, eu ainda sou tudo isso que você falou e quero ser mais, basta você parar de lutar e inventar motivos para fugir.
 Carol continuou pegando de leve com o indicador no queixo de Juliane;
-- Eu te amo e sei que você também me ama, me deixa fazer você feliz por completo, e te mostrar que Kelvin podia ser mentira, mas tudo que senti e sinto é de verdade.

Elas se beijaram e as pessoas que ainda estavam na pista de dança viram inclusive Bruna e a mãe.

-- Mamãe, e não é que eu tinha razão. - disse ela pasma pelo que via.
-- Coitado do pobre rapaz, minha filha vou pedir para o dj ir desligando o som, que já vai dar 4h e temos que entregar o salão antes 5h.

Juliane afastou-se de Carol, retraída pelo que permitiu acontecer, e ao mesmo tempo decepcionada por não ter resistido ao que vinha a tempos evitando. Carol tinha nos lábios um sorriso leve, de satisfação como quem acaba de realizar um sonho.

-- Juli diz que me ama, e serei a pessoa mais feliz desse mundo.
-- Me desculpe, mas mesmo..... é .... Eu te amo!!!
Beijaram- se novamente, o som já estava desligado e não havia ninguém além do dj naquele andar.

-- Você não sabe o quanto me fez feliz agora.
-- Mesmo te amando, me sinto perdida e inconsolável pela traição que estou fazendo com meus pais, agora eles vão morrer de brigar empurrando um para o outro a culpa por eu ser assim, minha vida está arruinada.
-- Não está, logo você estará com 18 e poderá tomar suas atitudes sem precisar de consentimentos. Eu te espero, se for para ter você para mim, esperarei quanto tempo for.
-- Não é assim, sinto muito mas não vai ser assim. Preciso ir.
-- Ei você vai assim passando uma borracha em tudo o que se passou aqui?
-- Me dá um tempo, para eu digerir isso tudo, eu juro que te procuro.
-- Tudo bem! Você está linda meu amor.
-- O tempo todo enquanto eu me arrumava, pensava em como seria estar desse jeito diante dos seus olhos, e aconteceu.
-- Maktub!
Desceram juntas e Juliane disse que aquele era Pedro, e resumiu o motivo dele estar ali com ela, e Carol disse o que ansiava por encontrar ela em outra ocasião. Chegaram do lado de fora e se depediram, Pedro estava do outro lado da calçada as gargalhadas com um grupo de meninas.

-- Vamos?
-- Sim, vou me despedir delas e ligar para meu pai, para saber se ele já está por perto.
-- Tudo bem.

Juliane se sentia, livre, calma, como se houvesse tirado um peso das costas, e sentia que tudo estava bem, a tristeza que há muito disfarçava tornara- se em sorrisos espontâneos. Ela sabia que não seria fácil dali por diante, mas aquele bem estar lhe fez crer era forte para lutar.
No caminho de volta para casa, Juliane contou a Pedro que Carol era a pessoa de quem falaram no cyber, mas não deu detalhes sobre a conversa que elas tiveram, e nem se quer cogitou a hipótese de falar sobre o beijo.

Quinze dias após a festa Juliane e Carol já haviam se visto três vezes, e houveram outros beijos. Em uma quinta feira, Juliane encontrou Carol pela tarde, mas não pode demorar pois no dia seguinte ela tinha aula, e a tarde ajudaria sua mãe a guardar as compras. Na sexta, Juliane foi para escola e quando voltou, sua mãe ainda não tinha chegado do mercado, então ela colocou em um canal de ecologia e assistia despojada no sofá, quando sua mãe entrou, o porteiro ajudou a carregar as bolsas para dentro, e quando ele saiu, Juliane foi para cozinha ajudar com a tarefa, sua mãe ficou em silêncio por mimutos até que ela se debulhou em lágrimas, Juliane sem entender ficou ao seu lado até que ela disse:

--  Minha filha, única filha........ lésbica, por que não me contou sobre isso Juliane?


Continua ......


Esta é uma obra de ficção qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

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