E de repente acontece ( parte7.)
Mãe e filha comeram pizza, assistiram filme até pegarem no sono. Juliane acordou pela manhã percebeu que sua mãe já havia levantado, foi para seu quarto se arrumar para escola. Depois de pronta foi na sala pegou sua mochila que estava em cima do sofá desde a tarde anterior e foi na cozinha onde sua mãe estava pondo a mesa do café da manhã.
-- Bom dia filha, como foi sua noite?
-- Boa apesar de tudo, dormi bem.
-- Filha fiquei feliz por tudo ter acabado bem, mas olha não é por nada, e que sinto que se eu não fizer isso,não será fácil para você entender como funciona o mundo. De hoje até o fim de semana você está de castigo.
-- Hã?! Mãe mas eu me desculpei, e posso te assegurar que não irei a parte alguma sem antes falar com a senhora.
-- Filha, quero que entenda que isso basta aqui dentro da nossa casa, mas o mundo, a vida, muitas das vezes não dão uma segunda chance, então use esse "confinamento" para refletir sobre isso.
-- Tá.
Juliane levantou e saiu, quando pegou suas chaves e foi para porta, sua mãe;
-- Filha não faz assim, vamos tomar café da manhã juntas.
-- Não obrigada perdi a fome, e também se eu tomar café posso acabar me atrasando.
-- Tá bom então fique, me faça companhia, e eu te deixo na escola pode ser?
-- Não melhor eu ir, tchau.
Juliane foi durante todo o trajeto escutando música e se lembrando de Carol, a única amiga verdadeira que teve na vida, pôs tudo a perder por uma mentira idiota e uma série de omissões desnecessárias, ela decidiu que a saudade poderia ser curada com o tempo, e que não procuraria mais Carol. À tarde, foi para o curso e lá chegando foi a secretária com intuito de trancar os módulos de: Inglês para viagens e Business English (inglês para trabalho). Pois esses módulos ocupavam dois dias da semana, e ela queria ver Carol o mínimo possível.
Assistiu aula e fingiu não dar importância a ausência de Carol, porém Wendel como bom observador, arranjou um jeito de tocar no assunto.
-- Juli queridinha, você pode passar esses exercícios para Carol? _ perguntou ele com forma sútil de tocar no assunto sem tocar no assunto.
-- Desculpe professor mas não tenho visto ela, então fica difícil e também não sei onde ela mora e nem telefone dela.
Todos a olharam admirados, em seguida riram achando ser uma peça que Juliane queria pregar no professor. Juliane tornou se explicando envergonhada.
-- Na verdade tenho o número da casa dela se senhor quiser posso.... passar para que o senhor ligue.
-- Não querida obrigada, a opção que você me deu já é procedimento de praxe da secretaria do curso, eu só achei que como são amigas.... não é isso?
-- É .... sim, somos! _ disse sem ter onde enfiar a cara.
-- Então eu pensei que você poderia fazer isso de forma mais rápida já que a Carol não é a única aluna que tem faltado, nesse caso as secretárias devem demorar um pouco para fazer contato.
-- É mas infelizmente não posso.
Wendel ainda intrigado mas percebendo o desajeito de Juliane, continuou a explicação do exercício. Na saída do curso o telefone de Juliane toca era sua mãe.
-- Filha, sei que deve estar brava comigo, mas eu queria que passasse no apartamento da dona Maria e pedisse a ela que fosse lá em casa lavar aquelas roupas e deixar o jantar pronto porque hoje eu vou chegar tarde.
-- Normal....
-- Oi?
-- Nada disse normal você chegar tarde.
-- Você já parou para pensar que todo esse sacrifício é por você? Que com a miséria de dinheiro que seu pai paga de pensão você não teria a metade do que possuí, então reclame menos, e saiba ser agradecida.
-- É só isso?
-- Sim!
Ela desligou e foi para o ponto, tomou sua condução e logo estava em casa. Fez o que sua mãe pediu e foi para casa, entrou em seu quarto pôs música e resolveu dar uma mudada no visual do quarto e levou horas mudando tudo.
Quando acabou tomou um banho e foi para o computador, fazendo uns posts em seu facebook, de repente mensagem de Kelvin, se desculpando por ter se ausentado e lamentando o ocorrido com Carol, eles conversaram bastante ele a fez rir como a dias ela não ria. Sua mãe aparece na porta;
-- Boa Noite, dona Maria disse que você faxinou o quarto nem acreditei, viu como um período de reclusão faz bem?!
-- Boa noite, mãe eu nem sou muito de sair, as vezes, eu estava saindo com a Caroline, e isso não vai mais acontecer. Então eu dispenso esses seus discursos de mãe de filha "andarilha", tá legal?!
-- Ihhhh vejo que vai ficar azeda comigo um bom tempo, falando em Carol, à tarde você me irritou e eu esqueci de te dizer que ela ligou hoje, logo depois que você saiu para escola. Ela disse que hoje não iria para o curso, mas que te veria na sexta.
-- Não mesmo!
-- Nem vem porque você vai para o curso amanhã.
-- Mãe o curso é somente três vezes na semana, os outros dias eu ocupei com módulos opcionais, por incentivo dessa pessoa ai. Então decidi trancar esses módulos e de mais a mais eu estou ficando muito cansada indo todos os dias.
-- Seu próximo passo vai ser o que? Trancar o curso? Olha Juliane sinceramente, eu não falo mais nada, boa noite.
Saiu batendo a porta e Juliane intacta olhando para porta fechada, pensando quanto transtorno por causa de uma amizade acabada. Conversou ainda por algum tempo com Kelvin, se despediu e foi dormir.
Na manhã seguinte se arrumou para escola, não quis tomar café, pôs seu fone e foi para escola ouvindo música e lembrando de suas conversas com Kelvin e em quanto viria bem a calhar apaixonar-se naquele momento. Quase nem prestou atenção nas aulas de tanto que pensava em Kelvin, não conseguia esquecer o quão bem lhe fazia estar com ele mesmo que virtualmente, ela queria estar com ele de verdade e decidiu que depois do castigo do fim de semana tomaria a iniciativa de convidar ele para sair.
O sinal bateu e ela foi para casa, quando chegou foi logo para cozinha, comeu sua comida, foi para o quarto e sentou de frente ao computador para conversar com Kelvin, ele por sua vez estava off e ela vendo que ele não estava lá colocou música para tocar no computador se estirou na cama e adormeceu. Acordou com sua mãe beijando sua testa.
-- Mãe? _ disse ainda sonolenta.
-- Desculpa se te acordei, pensei em assistirmos filme novamente, aproveitar que amanhã estaremos em casa e poderemos dormir até a hora que quisermos. O que acha?
-- Sim, uma boa.
-- Então vou tomar um banho e vou ver o que iremos comer.
Sua mãe saiu, ela se levantou vendo que sua mãe parou a música no computador, se dirigiu ao guarda roupa para pegar um pijama, agradecendo a Deus por sua mãe não encher a paciência com mais sermões por causa do curso. Depois de tomar banho foi para o quarto de sua mãe se acomodou na cama pegou o controle da tv e começou a busca por títulos interessantes, até que sua mãe veio.
-- Filha, pedi pizza de novo tudo bem?
-- Sim!
-- Vamos começando a ver quando o entregador chegar eu saio para atender e depois você me conta a parte em que parei.
-- Fechou! _ disse fazendo gesto de positivo com a mão.
Comeram pizza, riram assistindo uma boa comédia e dormiram abraçadas como nos velhos tempos. Às 11h Juliane abriu os olhos, sentou, ainda na cama, e ouvindo um barulho que vinha da cozinha levantou e foi até lá.
-- Mãe, o que está fazendo?
-- Peguei uma ótima receita de nhoque de abóbora na internet e pensei em fazer para o almoço. A propósito eu usei o seu computador para pegar a receita, tinha uma mensagem de um tal de Kelvin, não foi desse rapaz que você me falou um dia desses?
-- Foi, foi sim! _ Respondeu Juliane andando de pressa corredor a dentro.
Chegando no seu quarto, abriu a mensagem e lá estava um recado;
" Oi, essa tarde vou sair mas se precisar falar comigo deixe a mensagem aqui que quando eu chegar te respondo, beijos e um bom sábado!"
E ela respondeu;
" Bom sábado para você também, a qualquer hora estarei aqui, a sua espera... Beijos! ;-) "
Aquilo deu a ela um motivo de muita alegria naquele sábado sem pespectivas, Juliane lavou os cabelos, colocou uma roupa relevante para o dia e foi para sala onde assistiu alguns programas de tv típicos daquele dia. Lá pelas 15h sua mãe recebeu uma ligação, foi para quarto e de lá saiu arrumada.
-- Juliane vou dar uma saída, não me demoro muito filha, prometo.
Sua mãe lhe deu um beijo na testa, e saiu, ela ainda despojada no sofá, pensou que sua mãe poderia estar namorando e não queria falar, de pensar isso ela riu e continuou a assistir tv. Não passava mais de uma hora que havia saído, sua mãe entra de porta a dentro, falando coisa com coisa transtornada.
-- Mãe, o que houve? _ perguntou espantada.
-- Adivinha, quem resolveu dar o ar da graça para infernizar nossas vidas? Sim ele, seu pai, olha quando eu penso que o Afonso vai me dar paz lá volta ele de novo.
-- O que ele quer dessa vez?
-- Você! Levar você para passear, logo hoje que você está de castigo ahh não.
-- Mãe meu pai nunca aparece, quando ele aparece você não deixa ele me ver, por acaso a senhora pensa em mim?
-- Ahh não, você não vai me culpar agora, vai? Se você não tivesse aprontado, poderia ir com seu pai ou até mesmo tomar um sorvete por ai, como sua amiga estava fazendo ainda pouco, mas não você está de castigo e pronto!
Juliane não respondeu nada, pois sua mente ficou parada na parte em que sua mãe disse ter visto Carol tomando sorvete. Ela ficou pensando, em quanto Carol era fria de levar sua vida adiante sem nem lembrar que um dia foram amigas e no entanto ela lutava para esquecer isso todos os dias.
-- Você não vai dizer nada?
-- Não, mãe se não se importa vou para o meu quarto.
Sua mãe assentiu, em sinal de tudo bem, e Juliane foi para o quarto.
Juliane ficou sentada pensando em quanto foi boba sentindo a falta de Carol, isso foi durante meia hora, até que ela saiu do quarto e foi a cozinha beber água, quando voltava para o quarto, sua mãe falava ao telefone dentro do banheiro e ela parou na porta tentando identificar a conversa, para saber se era seu pai novamente, quando ouviu sua mãe dizendo;
-- Ah Dinorá me faça o favor, eu não sou mulher atirada igual a você, eu o conheci na casa de uma amiga faz uma semana, não tenho essa coragem de chegar na cara e falar tudo isso. Lúcia, essa amiga que nos apresentou me deu uma idéia, fazer um facebook de mentirinha, chamar ele através desse perfil para conversar e saber um pouco mais dele, assim quando eu fosse falar com ele iria mais confiante, sabe que eu gostei muito da idéia, seria ótimo para mim, eu não tenho facebook mesmo, ele nunca iria saber.
Ouvindo tudo isso Juliane foi para quarto rindo pois não imaginava sua mãe em uma situação como aquela. Entrando no quarto ela olhou para a tela do computador ainda aberta em sua conversa com Kelvin e de repente sua mente começou assimilar, ligar fatos e ela voltou no mesmo pé para a porta do banheiro.
-- Mãe, mãe, mãe! _ aos berros batendo na porta.
-- O que menina? O que houve? Fala!
-- A senhora se lembra em qual sorveteria viu a Carol?
-- Sim uma bem próxima a casa da Lúcia, e é perto do seu curso também, só não me lembro bem o nome....
-- O nome seria; IceFruit?
-- Sim! Era isso, mas por quê?
-- Nada, nada não.
Juliane foi até a sala pegou o telefone e ligou para casa de Carol.
-- Alô dona Ana?
-- Sim, reconheço essa voz, é a Juli?
-- Sou sim, a Carol já chegou?
-- Não, ela foi para sorveteria, parece que ela ganhou um sorteio no curso, eu até pensei que você estivesse junto com ela, já que essa situação do Bob deixou a Carol um pouco afastada.
-- É .. é que não deu para eu ir, a senhora poderia me passar o número do celular dela?
-- Ué, você não tem? Que tipo de amigas são vocês?!
-- Minha mãe me fez a mesma pergunta _ respondeu dando um sorrisinho sem graça.
-- Anota aí, 97631100.
-- Anotei, obrigada viu, um beijo.
-- Tchau.
Juliane desligou rápido, correu no seu quarto pegou seu celular e ligou, só dava desligado, resolveu tentar no celular da sua mãe e chamou, Carol atendeu.
-- Alô.
-- Alô Kelvin, sabe quem está falando?
Continua.....
Essa é uma obra de ficção qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

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