E de repente acontece (parte9).







_ Não faz isso com a gente, eu te peço, te imploro.
_  Me solta.... 

Juliane saiu, e durante o trajeto para casa, chorou se lembrando de como fora sua história com Carol, o quanto foram felizes, tudo que fizeram juntas e o quanto foi bom, por uma vez na vida ter alguém que a entendesse exatamente como ela era.
Isso causava a ela uma enorme dor e não sabia como lidar com tudo aquilo.
Passaram 15 dias e a mãe de Juliane estava muito preocupada, pois sua filha já não era mais a mesma e isso a afligia também.

_Filha o que acha de sairmos? um shopping quem sabe.
_ Não, obrigada prefiro ficar em casa.
_O que esta havendo, é por causa do curso, se for, tranca a matrícula e quando for oportuno você volta, tá? 
_ Tá bom, vou fazer isso está muito difícil para mim, a Caroline não tem ido ao curso mas...
_ Mas?! filha tudo isso é por causa de uma amizade?
_ Mãe, a senhora sabe o quanto eu sempre fui resguardada, até porque era complicado ter alguma amiga com a senhora em cima. E a primeira vez que tive uma amiga legal que agradou a senhora, eu fui feliz e realizada, pois tinha uma companheira.
_ Entendo, mas acho que amigas você poderá ter outras, só não vai conseguir se ficar todo tempo aqui dentro de casa. Se esforce e tente sair, arejar a mente e conhecer novas pessoas.

Sua mãe saiu do quarto, e ela refletiu sobre tudo que ouviu e ainda assim não entendia o por que de estar com uma vazio dentro do peito. As palavras de Carol não saíam de sua mente, e isso fazia com que ela se sentisse só e infeliz.
Lembrou-se de toda sua vida, da separação dos seus pais e de como sua mãe se tornou controladora fazendo da vida um jogo de regras que não podiam jamais serem quebradas, percebeu que nisso estava o segredo de seu apego com Carol, nas brincadeiras, na intimidade e acima de tudo na liberdade. Nesse momento a campainha toca, e sua mãe grita do banheiro;
-- Filha atende para mim!

Juliane foi até a porta e sem olhar no olho mágico abriu, se espantou e com muita supresa disse:

-- Pai?!
-- Oi minha filha, sua mãe me ligou dizendo que você não estava muito bem, resolvi passar aqui para ter ver.
-- Entra. _ disse Vera dissimulando o incômodo da presença do ex marido.
-- Como vai Vera?
-- Bem e cuidando de nossa filha.
-- Sem ironias por favor, vamos ser unidos... pela nossa filha tá bem.
-- Não fui irônica mas confesso que tem razão.
-- Senta pai. _ Juliane tentando quebrar o clima tenso.
-- Sento, mas quero conversar com você, como nunca fizemos antes pode ser?
-- Sim, claro.
-- Bom vou sair e deixa-los à vontade.

Vera saiu os deixando livres para conversar. A conversa levou horas.

-- Filha já vou, mas foi bom ver que você se tornou essa pessoa tão boa, inteligente e estudiosa.
-- Pai, posso te fazer uma pergunta?
-- Sim.
-- Por que você abandonou a gente?
-- Não abandonei vocês, Juli, minha Juli.... as coisas ficaram difíceis entre sua mãe e eu, talvez nós não tivemos sabedoria ou maturidade sei lá. O fato é que fomos levados pelo rancor, e com o tempo eu superei, mas sua mãe não. Não quero que você a culpe, mas foi ela que preferiu me manter longe, é tudo o que posso te dizer, quem sabe um dia possamos falar melhor sobre isso.

Seu pai a tomou em um forte abraço em seguida continuou;

-- Já falei com ela e sábado que vem virei te buscar para passar o dia comigo, ok?
-- Sim, ficarei muito feliz.
Juliane levou seu pai até a porta, se despediu e foi para seu quarto onde continuou pensando, e sentiu que estava feliz por ter seu pai em sua vida novamente por outro lado, triste por não ter com quem dividir sua alegria. Ela olhou para o computador se controlando para não fazer o que seu coração pedia, deitou e logo pegou no sono.
A semana passou rápido e como em passe de mágica já era sábado. Juliane acordou cedo, arrumou sua bolsa, tomou café da manhã e se aprontou para esperar por seu pai, foi até o quarto se despediu de sua mãe, que ainda dormia, e resolveu descer e esperar seu pai em frente ao prédio, não demorou muito ele chegou, ela entrou no carro e partiram.
Após  o almoço na casa de sua vó, seu pai resolveu leva-la na sorveteria, e citou a sorverteria que ficava no caminho de volta para casa, ela concordou, ignorando o desagradavél episódio que a fez conhecer o estabelecimento. No caminho ela colocou música no carro, cantaram juntos, riram pois seu pai cantava mau.
Chegaram e seu pai sugeriu que ela fosse entrando enquanto ele estacionava, já lá dentro;

-- E então já escolheu?
-- Não, preferi te esperar.
-- Tudo bem, eu vou querer um sundae com bastante nozes e calda de chocolate quente, e você?
-- Uma cestinha de 4 bolas, morango, flocos, creme e chocolate, calda de leite condensado e polvilhado com paçoca.
-- Boa pedida!
Seu pai foi até o balcão formalizar os pedidos e tornou a mesa.
-- Pai, sabe que já tenho idade para entender as coisas, não sabe?
-- Sim filha, você é inteligente.
-- Então me diga, você ainda ama minha mãe?
-- Ah... é.. bem... essa pergunta é um pouco.... como vou dizer....
-- Sim ou não só isso que precisa dizer.
-- Não sei, sinceramente.
-- Por que não se casou, depois de deixá-la?
-- Eu não a deixei, não havia mas espaço para nós dois debaixo do mesmo teto, a crise da sua mãe durou até o dia em que eu não senti mais a falta dela, foi isso. Eu a amei com toda a força do meu coração, quando eu a via meu coração parecia sair pela boca, minhas mãos suavam eu me desajeitava por completo.

Enquanto seu pai descrevia o que sentia ao ver sua mãe, Carol entrou na sorveteria, e procurou um lugar para sentar. Juliane a viu, seu coração disparou, suas mãos suavam e tremiam ela não sabia o que fazer, já nem ouvia mas o que seu pai estava dizendo, o olhava e quando dava por si estava fitando Carol, em seus pensamentos uma voz gritava, VOCÊ A AMA!

Continua.....

Esta é uma obra de ficção qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

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